O TDAH na perspectiva da Psicanálise.

Na Psicanálise, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é interpretado de forma diferente da abordagem biomédica predominante. Enquanto a visão psiquiátrica foca nos aspectos neurobiológicos e no uso de medicamentos, a Psicanálise busca entender os significados subjetivos e emocionais por trás dos comportamentos associados ao TDAH.

TDAH como sintoma e não como doença

Na perspectiva psicanalítica, os comportamentos característicos do TDAH – como a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade – podem ser vistos como expressões de conflitos internos ou de dinâmicas inconscientes. Esses comportamentos seriam formas de a mente lidar com angústias, frustrações ou desejos reprimidos.

Por exemplo:

  • Desatenção pode ser interpretada como uma fuga inconsciente de situações que geram desconforto ou de tarefas percebidas como opressivas.
  • Hiperatividade pode refletir uma tentativa de aliviar tensões internas, como ansiedade ou necessidade de reconhecimento.
  • Impulsividade pode ser uma dificuldade em lidar com limites impostos pelo ambiente ou pelas próprias regras internas.

O sujeito no centro da questão

Diferente da abordagem psiquiátrica, que frequentemente categoriza o TDAH como um transtorno objetivo, a Psicanálise considera a singularidade de cada sujeito. A questão central não é “o que há de errado?”, mas “o que esse comportamento revela sobre o sujeito, suas relações e seu desejo?”.

Essa visão desloca o foco do diagnóstico como uma etiqueta e enfatiza a escuta atenta da história de vida, do contexto familiar e das relações interpessoais.

A relação com o ambiente

A Psicanálise também leva em conta como o ambiente influencia o surgimento dos sintomas. Crianças e adultos diagnosticados com TDAH frequentemente enfrentam pressões sociais, familiares ou escolares que podem agravar os comportamentos associados ao transtorno.

Por exemplo:

  • Uma criança que não encontra espaço para expressar suas emoções em casa pode manifestar hiperatividade como uma tentativa de chamar atenção.
  • Adultos sobrecarregados por exigências podem se tornar desatentos ou impulsivos como forma de lidar com o estresse.

Tratamento na Psicanálise

O tratamento psicanalítico não busca “curar” o TDAH, mas ajudar o sujeito a compreender os significados subjacentes ao seu comportamento e a encontrar formas mais saudáveis de lidar com seus conflitos internos e externos.

Por meio da escuta e da análise, é possível:

  • Identificar fatores inconscientes que influenciam os sintomas.
  • Promover maior autoconhecimento e autonomia.
  • Reduzir o sofrimento causado pelos sintomas, sem necessariamente eliminá-los.

Na Psicanálise, o TDAH não é apenas um transtorno com causas biológicas, mas uma expressão complexa do sujeito em relação ao mundo. 

Essa abordagem permite um olhar mais humano e individualizado, ajudando a compreender o que está por trás dos sintomas e a buscar caminhos para um equilíbrio emocional e relacional.

Jéssica Amadeu

Psicóloga em Jales/SP

CRP 06/118656

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Dra. Jéssica Amadeu • Psicóloga Infantil • Abordagem Psicanalítica

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